Perdidas e Achadas

O Brasil é tão grande e tão pouco explorado pelos biólogos, que com certa frequência são encontradas em nosso país espécies de aves desconhecidas pela ciência. Talvez mais interessante e surpreendente do que a descrição de novas espécies é o fato de que há diversos casos de aves que foram descritas há décadas ou às vezes há mais de um século atrás e nunca mais foram vistas! Felizmente, uma tendência na ornitologia brasileira nos últimos anos tem sido a redescoberta de algumas dessas espécies: podemos apelidá-las de espécies literalmente “perdidas e achadas”.

Um caso é o do urutau-de-asa-branca, Nyctibius leucopterus. Essa espécie, de uma família de aves noturnas aparentadas aos curiangos, foi descrita em 1821 pelo príncipe e naturalista alemão Maximilian de Wied-Neuwied com base em um indivíduo coletado por ele alguns anos antes na Mata Atlântica do litoral da Bahia. E isso é basicamente tudo o que se sabia sobre o urutau-de-asa-branca, já depois da descrição ele nunca mais foi observado e ficou absolutamente desaparecido por inacreditáveis 168 anos! Ele só foi encontrado de novo em 1989, pelo ornitólogo Mário Cohn-Haft. Ainda mais incrível do que a redescoberta em si é o fato de ela ter sido feita nos arredores de Manaus, em plena Amazônia, a mais de 2.500 km do litoral da Bahia.