Cerca de 1.500.000 km2 de florestas inundáveis, 30% da área da Amazônia, são vítimas potenciais das propostas de mudanças no Código Florestal Brasileiro, caso o texto seja aprovado como está. Isto porque, ao estabelecer mensuração das faixas de Áreas de Proteção Permanente (APP) de margens de corpos d’água a partir do leito menor, o Código expõe ao desmatamento imensas áreas de florestas que são sazonalmente inundadas na Amazônia e que prestam um serviço fundamental não apenas para a biodiversidade amazônica mas, principalmente, para o pulso hidrológico dos rios da região, para a manutenção do clima e do regime de chuvas no Brasil.
Somente de várzeas e igapós – áreas úmidas típicas da Amazônia – são 400.000 km2 que apresentam uma variação enorme de vazão, inundando e expondo florestas inteiras com cheias de até 10 metros de altura em relação à vazante.
O alerta foi dado nesta quinta-feira (10/11), em um plenário de comissão praticamente vazio, pela professora doutora Maria Teresa Piedade, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), durante a audiência pública realizada na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle, para que fossem ouvidos, pelos senadores, especialistas sobre o tema Reforma do Código Florestal e as Bacias Hidrográficas.