O cenário é uma típica floresta tropical. Ao som do clássico Cantando na Chuva, um pequeno elefante mimetiza os passos coordenados do galã Gene Kelly, como no filme homônimo de 1952, sob o olhar atento de outros bichos. A performance dura menos de um minuto, e ao fim dela uma voz grave vaticina: “A tecnologia caminha junto com a natureza”.
Criada em 2005, a campanha publicitária da General Electric fez parte de um esforço multimilionário da companhia americana para o lançamento de uma linha de dezessete produtos verdes, desde lâmpadas com maior eficiência energética até motores de trem que emitem menos gás carbônico. A empreitada deu certo. Em 2010, a GE estima faturar 20 bilhões de dólares apenas com esse segmento, que já se expandiu para mais de noventa produtos. Hoje, eles respondem por 10% do faturamento da empresa. A decisão de dar o primeiro passo rumo à sustentabilidade não foi tomada ao acaso. Tampouco partiu da ideia de ganhar a simpatia dos ambientalistas mais fervorosos, que nunca a perdoaram por eliminar, durante décadas, toneladas de resíduos tóxicos no Rio Hudson, em Nova York – e passar igual tempo tentando limpá-lo. Na realidade, a estratégia segue um raciocínio lógico. A GE percebeu que, ao investir pesado em produtos verdes, não só lustraria sua imagem junto à opinião pública, cada vez mais consciente das consequências de suas ações no meio ambiente, como multiplicaria seus ganhos.