A imagem de mata virgem intocada que temos da Amazônia está desaparecendo com pesquisas recentes. Ao contrário do que diz a crença de que o ambiente era difícil para a condição humana, a região abrigou populações numerosas – inclusive em áreas hoje cobertas por florestas densas – de forma diversificada e, segundo o pesquisador Eduardo Góes Neves, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da Universidade de São Paulo (USP), a civilização atual tem muito que aprender com os povos do passado.
Hoje considerada periferia do Brasil, a Amazônia no passado era mais densamente habitada do que as regiões Sul e o Sudeste antes da colonização europeia. Entre os mitos desfeitos sobre a região amazônica, foi derrubada a tese de que lá tinha, apenas, tribos distribuídas a esmo pela floresta. Arqueólogos acreditam que havia cerca de 5,5 milhões de pessoas antes do descobrimento.
Há pelo menos 14 mil anos, a floresta é ocupada por populações que produziam ferramentas de trabalho e cerâmicas, possuíam também uma agricultura diversificada, além do idioma. Enquanto quase todas as línguas modernas vieram de uma mesma família – a indo-europeia -, as línguas faladas nas aldeias antigas da região amazônica vieram de diferentes famílias linguísticas. Segundo Neves, essa pluralidade também é diversidade cultural, e é tão importante quanto a diversidade biológica.