Itatiaçu – penhasco cheio de pontas. Assim a língua tupi-guarani batizou a sucessão de cumes que coroa a serra da Mantiqueira e delimita, desde 1937, o primeiro parque nacional criado no Brasil: Itatiaia. Esse penhasco faz fronteira com os Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro – e alcança 2.787 metro de altura, no topo do pico das Agulhas Negras, ponto mais alto do Rio de Janeiro e o sétimo do país. Formado de rochas vulcânicas, o Parque de Itatiaia tem uma paisagem deslumbrante, entremeada de nichos intocados da Mata Atlântica.
São centenas de árvores de grande porte – cabréuvas, cedros, jacarandás – e muitas begônias, bromélias, orquídeas e samambaias que dão refugio ao lobo-guara, à jaguatirica e à preguiça, além de quase 100 mil espécies de aves. Cerca de 300 nascentes formam cachoeiras de perder o fôlego, como o Véu de Noiva, que despencam de uma altura de 30 metro.
Com 30 mil hectares, Itatiaia oferece atrações como a Pedra da Tartaruga, com 2.420 metros, ou a estrada das águas, a mais alta do Brasil, a 2.550 metros. Conta também com um orquidário e um Museu de História Natural. Ali, os termômetros podem marcar 15 graus negativos em pleno inverno carioca. A região – que foi território dos índios puris – foi transformada em parque nacional pelo ex-presidente Getúlio Vargas, que se inspirou no modelo pioneiro do Parque de Yellowstone, nos Estados Unidos.
Na segunda metadade do século XIX, o imperador D. Pedro II também esteve de olho na região: queria plantar maçãs, jardins imperiais Jean-Marie Glaziou apoiaram a idéia, escalando o pico da Agulhas Negra para sondar o terreno. Dizem que ela foi a primeira mulher a realizar essa façanha.