Ecoparade espalha ‘casas para lixo’ por São Paulo

A ideia é simples, mas ainda dificilmente assimilada pela população: se cuidamos dos produtos que compramos, os guardamos bem na dispensa e na geladeira de casa, por que então descartar as embalagens de qualquer maneira, só porque estão vazias? Para Renato Becker, da empresa de educação para sustentabilidade Re9, devemos cuidar dos nossos resíduos da mesma forma como cuidados das nossas roupas, objetos ou outros bens de consumo. Isso porque nem tudo vira lixo após o uso e muito pode ser reaproveitado. Renato aplicou essa ideia ao idealizar o projeto Ecoparade, que a partir do dia 18 de junho invadirá oito áreas verdes de São Paulo.

A Ecoparade consiste em espalhar pontos de coleta de materiais recicláveis pela cidade para incentivar os cidadãos a encaminhar seu lixo da forma correta. Mas não se trata de lixeiras comuns. Além de ser uma solução ambiental, a intervenção urbana utiliza a arte para cumprir seu objetivo. As Ecobases, como são chamados esses pontos de coleta, foram criadas por artistas plásticos, grafiteiros e convidados.

Os materiais usados para construir as estruturas de dois metros de altura, que são semelhantes a uma pequena casa, também são, em sua maioria, recicláveis. Há, por exemplo, a Ecobase Jardim Vertical, de autoria de Eleonora Lins, que foi revestida com fibra de coco, capim e flores. Outro exemplo é a Ecobase Lousa, desenvolvida pela Re9, que terá lousa e giz para as pessoas deixarem mensagens. As “casinhas”, como foram apelidadas por Renato, abrigam duas lixeiras cada, uma específica para o descarte de vidro e a outra destinada a papel, plástico, metal e embalagens “longa vida”. Ao todo, elas têm capacidade para abrigar cerca de mil litros de resíduos.